Havia,
há muito tempo atrás, um monge hindu que queria atingir
a iluminação. Ele era muito sério e devotado e
não poupava esforços para conquistar seu objetivo. Colocava-se
todos os dias embaixo de um grande salgueiro e ficava ali, em total
silêncio, a jejuar e meditar, isolando-se, assim, das coisas do
mundo. E ele permaneceu assim por muito tempo.
Certa
vez, aproximou-se dele um outro monge e sentou-se sob uma linda palmeira
que havia próxima ao salgueiro. Este segundo monge, também
meditava e jejuava, mas por vezes cantava, dançava, observava
as flores, os pássaros e saía de seu recolhimento para
cumprimentar gentilmente quem se aproximasse dele.
O
primeiro se escandalizava com as atitudes do vizinho, e era cada vez
mais rigoroso na sua prática.
Um
dia, passava por ali um grande sábio. Ao vê-lo, os dois
monges se alegraram, e o que meditava sob o salgueiro aproximou-se e
perguntou: "- Mestre, eu gostaria de saber quanto tempo ainda eu
vou levar para atingir a iluminação, pois há anos
eu medito e jejuo sob esta árvore, enquanto meu companheiro,
coitado, não conseguindo se conter, encanta-se com as coisas
da natureza e, muitas vezes, quebra seu silêncio para cantar com
os pássaros."
E
o Mestre respondeu: "- Pois eu lhes digo: cada um de vocês
levará, para conseguir a iluminação, tanto tempo
quantas são as folhas das árvores sob as quais meditam."
E seguiu o seu caminho...